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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma vida de sucesso depende de uma personalidade em estados de ego positivos!

HELEN KELLER e ANNE SULLIVAN

Não há amizade mais sagrada que a existente entre aluno e professor. Uma das maiores foi a que ligou Helen Keller (1880-1968) a Anne Mansfield Sullivan (1886-1936). A enfermidade destruiu a visão e a audição de Helen Keller antes dos dois anos de idade, deixando-a à parte do mundo. Durante cerca de cinco anos ela viveu, como descreveu mais tarde, “selvagem e rebelde, rindo para expressar prazer e chutando, arranhando, emitindo gritos engasgados de surda-muda para expressar o oposto”. A chegada de Anne Sullivan à casa dos Keller, no Alabama, vinda do Instituto Perkins para Cegos, de Boston, mudou a vida de Helen. A própria Anne era parcialmente cega devida a uma infecção nos olhos, da qual jamais se recuperou por completo, e veio a Helen com experiência, com inflexível dedicação e amor. Através da sensação do toque ela conseguiu entrar em contato com a mente da menina e no espaço de três anos ensinou-lhe a ler e a escrever em braile. Aos dezesseis anos, Helen sabia falar suficientemente bem para freqüentar a escola e mais tarde a universidade. Graduou-se cum laude na Radcliffe, em 1904, e dedicou-se o resto da vida a ajudar os cegos e os surdos, como o fizera sua professora. As duas mulheres mantiveram sua notável amizade até a morte de Anne. Helen descreve a chegada de Anne Sullivan em sua biografia, A história da minha vida.

O dia mais importante de que me lembro em toda a minha vida foi o da chegada de minha professora, Anne Mansfield Sullivan. Encho-me de assombro ao avaliar os imensos contrastes entre as duas vidas ligadas por esse dia. Era 3 de março de 1887, três meses antes de eu completar sete anos.
Na tarde daquele dia memorável fiquei na varanda, quieta, na expectativa. Adivinhava vagamente, pelos sinais de minha mãe e pelo ir-e-vir apressado na casa, que alguma coisa insólita estava prestes a acontecer, então fui para a porta e esperei, sentada nos degraus. O sol da tarde penetrava na massa de madresselva que cobria a carandá e banhava meu rosto erguido, meus dedos se detinham quase inconscientemente nas filhas e nas flores tão familiares que acabavam de brotar para saudar a doce primavera do sul. Não suspeitava das surpresas e maravilhas que o futuro guardava para mim. A raiva e a amargura me haviam dominado continuamente nas últimas semanas e um profundo langor se sucedera à exaltação daqueles acessos.
Você já esteve envolto num nevoeiro denso em pleno mar, parecendo estar trancado numa escuridão tangível enquanto o grande barco, tenso e ansioso, procura às cegas, com sondas e lastro, o caminho da costa e você espera, o coração disparado, que alguma coisa aconteça? Eu era como esse barco antes que minha educação começasse, mas sem compasso ou sonar, e sem maneira de saber a que distância estava o porto. “Luz! Dê-me luz”! Era o grito mudo da minha alma, e a luz do amor brilhou em mim naquele exato momento.
Senti passos se aproximando, pensei ser minha mãe e estendi a mão. Alguém pegou-a e fui tomada nos braços daquela que viera para revelar-me todas as coisas e, acima de tudo, para me amar.
Na manhã seguinte à sua chegada, minha professora levou-me ao seu quarto e me deu uma boneca. As criancinhas cegas do Instituto Perkins a tinham mandado, vestida por Laura Bridgman; mas eu só saberia disso mais tarde. Enquanto eu brincava com a boneca, Anne Sullivan lentamente escreveu em minha mão a palavra “b-o-n-e-c-a”. Meu interesse pelo movimento do dedo foi imediato e tentei imitá-lo. Quando enfim consegui fazer as letras corretamente, senti-me inundar de prazer e orgulho infantil. Desci correndo as escadas para mostrar à minha mãe, levantei a mão e fiz as letras de boneca. Eu não sabia que estava soletrando u ma palavra, nem sabia que existiam palavras; simplesmente imitava como os dedos, como um macaco. Nos dias seguintes aprendi a escrever dessa maneira incompreensível uma série de palavras, incluindo palito, boné, copo e alguns verbos como sentar, levantar, andar. Mas minha professora já estava há semanas comigo quando aprendi que tudo tinha um nome.
Certo dia eu brincava com a boneca nova e Anne Sullivan pôs também em meu colo minha grande boneca de trapos, escreveu “b-o-n-e-c-a” e tentou fazer-me entender que “b-o-n-e-c-a” se aplicava a ambas. Naquele dia já tivéramos uma briga por causa das palavras “c-a-n-e-c-a” e “á-g-u-a”. Anne Sullivan tinha tentado me fazer gravar que “c-a-n-e-c-a” era caneca e “á-g-u-a” era água, mas eu continuava confundindo as duas. Desesperada, ela deixara de lado o assunto, mas o trouxe de volta na primeira oportunidade. Impaciente com as repetidas tentativas, peguei a boneca nova e atirei-a no chão. Senti uma intensa satisfação ao sentir os fragmentos da boneca quebrada em meus pés. Nenhuma tristeza, nenhum arrependimento seguiu-se ao acesso de cólera. Eu não amava a boneca. No mundo silencioso e escuro em que eu vivia não havia ternura nem sentimentos definidos. Senti minha professora varrer os fragmentos para um canto da lareira e tive certa satisfação, pois a causa da minha inquietação fora retirada. Ela colocou meu chapéu e eu soube que iria sair para o calor do sol. Esse pensamento, se é que uma sensação muda pode ser chamada de pensamento, me fez saltitar de prazer.
Andamos até o poço, atraídas pela fragrância das madressilvas que o cobriam. Alguém estava bombeando água e minha professora colocou minha mão sob a torneira. Enquanto a água fria jorrava numa das mãos ela escreveu na outra a palavra água, a princípio devagar, depois rapidamente. Fiquei imóvel, toda a minha atenção voltada para os movimentos dos dedos. Subitamente tive uma consciência difusa, como se de alguma coisa esquecida – a excitação do retorno do pensamento, e de algum modo o mistério da linguagem me foi revelado. Eu sabia que “á-g-u-a” significava aquela maravilhosa coisa fria que jorrava em minha mão. O mundo vivo despertou minha alma, encheu-a de luz, esperança, alegria, libertou-a! Ainda havia barreira, é verdade, mas barreiras que seriam removidas no devido tempo
Deixei o poço ansiosa por aprender. Tudo tinha um nome e cada nome fazia nascer um novo pensamento. Ao voltar para casa, cada objeto que eu tocava parecia trepidante de vida. Porque eu via tudo com a nova e estranha visão que tinha vindo a mim. Chegando à porta, lembrei-me da boneca que eu tinha quebrado. Tateei até a lareira e peguei os cacos. Em vão tentei juntá-los. Meus olhos então se encheram de lágrimas; pois entendi o que tinha feito e pela primeira vez senti tristeza e arrependimento;
Aprendi inúmeras palavras novas naquele dia. Não me lembro de todas, mas sei que mãe, pai, irmã, professora, estavam entre elas – palavras que fariam o mundo se abrir para mim, como o “bastão de Araão, em flores”. Seria difícil encontrar uma criança mais feliz que eu quando me deitei, ao final daquele dia inesquecível, revivendo as alegrias que me trouxera e, pela primeira vez, ansiei pela chegado de um novo dia.



Anne Sullivan descreve em suas cartas o “milagre” que viu acontecer em Helen.


20 de março de 1887
Meu coração canta de felicidade esta manhã. Um milagre aconteceu! A luz do entendimento brilhou na mente de minha pequena aluna e veja só, todas as coisas estão mudadas!
A criaturinha selvagem de duas semanas atrás se transformou numa criança amável. Está sentada a meu lado enquanto escrevo, a face serena e feliz, fazendo uma longa correntinha vermelha de crochê em lã escocesa. Aprendeu o ponto esta semana e está muito orgulhosa da façanha. Quando completou uma correntinha que vai de um lado a outro no quarto, acariciou o próprio braço e levou ao rosto, com amor, o primeiro trabalho feito com suas próprias mãos.já permite que eu a beije e, quando está numa disposição especialmente carinhosa, senta-se um ou dois minutos no meu colo; mas não retribui meus carinhos. O grande passo – o passo mais importante – foi dado. A pequena selvagem aprendeu a primeira lição de obediência e aceita o jugo com facilidade. Minha agradável tarefa é agora orientar e moldar a bela inteligência que começa despertar na alma-criança. As pessoas já comentam a mudança em Helen. Seu pai vem nos ver todos os dias de manhã e à noite, ao sair e voltar do escritório, e a encontra satisfeita, enfiando contas ou fazendo linhas horizontais no cartão de costura, e exclama: “Como ela está quieta!” Quando, cheguei seus movimentos eram tão insistentes que a gente sentia algo artificial e quase anormal nela. Observei também que está comendo bem menos, fato que preocupa tanto seu pai que o torna ansioso para levá-la para casa. Diz que ela tem saudades de casa. Não concordo, mas suponho que precisamos deixar nosso retiro muito brevemente.
Helen aprendeu vários substantivos essa semana. Teve mais problemas com “c-a-n-e-c-a” e “l-e-i-t-e” do que com outras palavras. Quando soletra “leite”, aponta para a caneca e quando soletra “caneca” faz sinais de entornar ou beber, mostrando que confundiu as palavras. Ainda não tem idéia de que cada coisa tem um nome.


5 de abril de 1887
Preciso escrever rapidamente, porque aconteceu algo muito importante. Helen deu o segundo grande passo do aprendizado. Aprendeu que tudo tem um nome, e que o alfabeto manual é a chave para tudo o que deseja saber.
Em carta anterior disse a você que ela teve mais problemas com “caneca” e “leite” que com qualquer outra coisa. Ela confundia esses substantivos com o verbo “beber”. Não sabia a palavra para “beber”, mas fazia a pantomima de beber algo toas as vezes que soletrava “caneca” ou “leite”. Enquanto se lavava hoje de manhã, quis saber o nome de “água”. Quando quer saber o nome de alguma coisa, ela aponta e me dá um tapinha na mão. Soletrei “á-g-u-a” e não pensei mais nisso até após o café da manhã. Ocorreu-me então que, com o auxílio dessa nova palavra, eu poderia conseguir resolver a dificuldade de “caneca-leite”. Fomos ao poço, onde coloquei a caneca na mão de Helen sob a torneira e bombeei a água. Quando a água fria jorrou, enchendo a caneca, escrevi “á-g-u-a” na outra mão de Helen. A palavra, vindo tão próxima à sensação da água fria correndo na mão dela, pareceu assustá-la. Deixou cair a caneca e ficou transfigurada. Uma nova luz seguiu em seu rosto. Escreveu “água” varias vezes, jogou-se no chão e perguntou o meu nome. Soletrei “Professora”. Nesse momento, a enfermeira trouxe a irmãzinha de Helen ao poço e ela soletrou “bebê” apontando para a enfermeira. No caminho de volta para casa Helen estava excitadíssima, aprendendo o nome de todos os objetos que tocava, de modo que em algumas horas acrescentou trinta palavras novas ao seu vocabulário. Aí vão algumas: porta, abrir, fechar, dar, ir, vir e muitas outras.
P.S. Não terminei a carta a tempo de pôr no correio ontem à noite; portanto, adiciono uma linha. Helen acordou hoje como uma fada radiante. Esvoaçava de um objeto a outro perguntando o nome de tudo e me beijando, de puro prazer. Quando me deitei ontem à noite ela chegou-se a meus braços por vontade própria e me beijou pela primeira vez. Achei que meu coração ia estourar de tanta alegria.


Fonte: O Livro das Virtudes – William J. Bennett – Editora Nova Fronteira – p. 213 – Tema: Amizade.

Digitação e Colaboração: Sandra Fock.

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